<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[luara]]></title><description><![CDATA[luara]]></description><link>https://luapacini.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!U6SJ!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fluapacini.substack.com%2Fimg%2Fsubstack.png</url><title>luara</title><link>https://luapacini.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 03 Jun 2026 00:27:49 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://luapacini.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[luara]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[luapacini@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[luapacini@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[luara]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[luara]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[luapacini@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[luapacini@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[luara]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Olhar]]></title><description><![CDATA[Nos olhamos, tudo congela por alguns instantes.]]></description><link>https://luapacini.substack.com/p/olhar</link><guid isPermaLink="false">https://luapacini.substack.com/p/olhar</guid><dc:creator><![CDATA[luara]]></dc:creator><pubDate>Thu, 28 May 2026 01:44:31 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nos olhamos, tudo congela por alguns instantes. Est&#225; frio, &#233; inverno e bate um vento levando cabelo ao seu rosto, tocando suas bochechas, seus l&#225;bios, cobrindo parcialmente seus olhos. Fazia tempo que n&#227;o os via. Contato visual fixo, boca entreaberta, sem palavras a serem proferidas. Pensamentos acalerados, respira&#231;&#227;o primeiro hesitante e depois profunda. Todas as mem&#243;rias batem &#224; porta, o cora&#231;&#227;o pesa ao lembrar de tudo. &#194;nsia pelo toque, tentar se convencer de que &#233; real. Ser&#225; que &#233;? Depois de tanto tempo, talvez n&#227;o mais seja. Mesmo que fosse, ser&#225; que seria igual? Maior a &#226;nsia, impulso de correr uma at&#233; a outra, mas tamb&#233;m de fugir, dar as costas, n&#227;o lidar. Todos os sentimentos enterrados de repente voltando. Reboli&#231;o interior, confus&#227;o, a realidade dilata. Eu pisco. Ainda a vejo. Deve ser real. N&#227;o posso exibir rea&#231;&#227;o, mas busco incessantemente alguma dela. N&#227;o h&#225;. Os m&#250;sculos da minha face se retraem, tentando n&#227;o se mover. N&#227;o posso demonstrar, n&#227;o posso quebrar primeiro. A vejo discretamente buscar por ar com a boca, e sinto sua respira&#231;&#227;o no meu ouvido. Tens&#227;o, recorda&#231;&#227;o, desejo. Ser&#225; que seria igual? Tento afastar os questionamentos, sem sucesso. H&#225; marcas que n&#227;o v&#227;o. Quero estender a m&#227;o, quero alcan&#231;&#225;-la. Sinto o vento rodopiar, sinto ele encostar em cada poro, sinto meu cabelo balan&#231;ando como o dela. O mesmo vento que bate em mim, tambem a toca, nos unindo. E se eu a tocasse? O frio do lado de fora &#233; contraposto pelo calor da ansiedade que me toma. E se eu falasse? Ainda turbilh&#227;o de pensamentos, n&#227;o conseguiria os organizar. Meu corpo se move em dire&#231;&#227;o ao caminho que j&#225; trilhava, sem meu aval, automaticamente. Agora preciso segui-lo, n&#227;o posso voltar atr&#225;s. Voltaria atr&#225;s? Seguimos assim nossos respectivos rumos, marcadas. N&#227;o deve ter durado dois segundos, mas foi eterno. O tempo sempre foi uma quest&#227;o pra mim. Ele passa e ele vai mas ele tamb&#233;m volta, ora corre e ora se demora, fazendo trajetos inesperados, vertiginosos. N&#227;o sei o que fazer com tudo isso, mas agora sei que n&#227;o estou sozinha. O quanto eu penso ela pensa, &#233; uma pris&#227;o compartillhada, nos puxando para o passado. Quem vai ceder primeiro? Vence o orgulho ou o desejo? A autopreserva&#231;&#227;o ou a curiosidade? Tenho medo de n&#227;o reconhec&#234;-la, medo de me demorar demasiadamente em seu rosto, procurando algu&#233;m que j&#225; n&#227;o mora mais l&#225;. Medo de me procurar nela, e medo de me encontrar. Cada rosto me &#233; um labirinto, cada curva, cada esquina, cada textura e cada sombra me fascinam. Sou naturalmente atra&#237;da por eles. A olhava fixamente, tentando decorar cada sarda. Nunca consegui: sempre esque&#231;o de algo, sempre deixo pra tr&#225;s, sempre preciso olhar mais. Ser&#225; que precisarei olhar mais? Me voltar&#227;o os olhares todos, ou os terei de reconstruir? Tenho medo de olhar demais, medo do meu olhar, medo do seu olhar. Medo de nos olharmos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Silêncio]]></title><description><![CDATA[Da palavra e da loucura]]></description><link>https://luapacini.substack.com/p/silencio</link><guid isPermaLink="false">https://luapacini.substack.com/p/silencio</guid><dc:creator><![CDATA[luara]]></dc:creator><pubDate>Wed, 08 Apr 2026 00:41:15 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Tenho me sentido bastante sozinha. Isso que agora sinto &#233; solid&#227;o? Ainda &#233; uma sensa&#231;&#227;o alien&#237;gena sentir meus sentimentos sem entend&#234;-los. N&#227;o sei o que est&#225; acontecendo nunca, s&#243; sei que agora choro. Enquanto as l&#225;grimas lutam para escorrer pelo meu rosto, tento lembrar quando foi a &#250;ltima vez que chorei e n&#227;o consigo.</p><p>N&#227;o sei o que fazer com o que sinto, n&#227;o sei o que fazer com as palavras. Preciso tir&#225;-las de mim, sempre precisei, mas agora n&#227;o sei onde busc&#225;-las. Sinto um ac&#250;mulo emocional que s&#243; cresce e me sobrecarrega. H&#225; prop&#243;sito em escrever? Sempre me dei bem com as palavras, e agora elas me fogem. Silenciada de dentro pra fora, o que fazer? H&#225; tanto espa&#231;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://luapacini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Quero conversar e me vejo calada. N&#227;o quero sentir e me vejo obrigada.</p><p>Sempre me volta a liberdade &#8212; ou a falta dela. Antes ref&#233;m das palavras, agora no sil&#234;ncio, ref&#233;m dos sentimentos. E a liberdade anda por onde? &#192;s vezes parece que nunca nos encontraremos.</p><p>Por tanto tempo presa, esmagada pelo peso das palavras, b&#234;n&#231;&#227;o e maldi&#231;&#227;o, me vejo agora esvaziada delas, percorrendo toda minha mente e dando de cara com paredes mudas. Mergulho em mim em busca de express&#227;o, vocabul&#225;rio, e encontro apenas sentimentos inome&#225;veis, desconhecidos, t&#225;citos. Ser&#225; poss&#237;vel pensar tanto que se chega no limite? Que se esvaem as palavras, fogem os nomes? Encaro lacunas; involuntariamente escondo segredos de mim mesma.</p><p>O rem&#233;dio me devolveu autonomia, mas me roubou a fala. A quietude que tanto pedi agora me oprime, o sil&#234;ncio t&#227;o alto quanto o turbilh&#227;o. Ser&#225; que prefiro a loucura? Acho que n&#227;o. Preciso agora me agarrar &#224;s palavras alheias, tentando suprir essa falta. Para minha sorte, j&#225; escreveram tudo que se pode querer ler; j&#225; sentiram tudo que senti. Jamais me imaginei tendo que buscar no outro a express&#227;o de mim, sempre tive tanto que n&#227;o cabia. Me foi tomado; me fui tomada.</p><p>&#201; horr&#237;vel o vazio que acompanha a lucidez. Nunca esperei ansiar pela minha pregressa insanidade, mesmo sendo isso agora apenas um breve del&#237;rio pelo desespero de encarar o vazio ao buscar respostas; um momento antes de me acostumar a sentir dessa forma agora t&#227;o nova: sentir em sil&#234;ncio.</p><p>Existe reconhecimendo na loucura, e luto na melhora. Como dizer tchau pra esse eu que mudou, que morreu? Ser&#225; que ainda existe? Acho que &#233; assim que tratamentos s&#227;o interrompidos. N&#227;o quero voltar a piorar, n&#227;o quero regredir, mas queria saber se ela ainda existe, ela que fui eu por tanto tempo. Ainda sou? Ainda posso ser? Quem sou? Ainda sou a mesma se n&#227;o mais me reconhe&#231;o?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://luapacini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Percepção]]></title><description><![CDATA[Sobre o conforto e desespero de ser vista]]></description><link>https://luapacini.substack.com/p/percepcao</link><guid isPermaLink="false">https://luapacini.substack.com/p/percepcao</guid><dc:creator><![CDATA[luara]]></dc:creator><pubDate>Sat, 04 Apr 2026 19:50:42 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Tenho uma m&#243;rbida fixa&#231;&#227;o em me ver pelo olhar do outro, acho que sempre tive. Vivo minha vida em busca de respostas sobre a vis&#227;o alheia, e em muitos momentos isso me consumiu at&#233; as cinzas. &#201; t&#227;o incessante a &#226;nsia de saber como sou vista e lembrada que me impede de viver, toma todos meus pensamentos.</p><p>Penso e penso sobre como sou vista, repasso mentalmente di&#225;logos, super-analiso tons e express&#245;es faciais, me atenho a toda figura de linguagem empregada com o objetivo de estimar t&#227;o precisamente quanto poss&#237;vel inten&#231;&#245;es, sentimentos velados, opini&#245;es n&#227;o-ditas. Me agarro a tudo poss&#237;vel e maquino teorias tentando decifrar todo esse quebra-cabe&#231;a social que &#233; a vida. Revejo meus perfis de redes sociais com frequ&#234;ncia, imaginando que sou outra pessoa vendo pela primeira vez; releio o que escrevo; viro noites lembrando di&#225;logos; ensaio conversas; pe&#231;o a opini&#227;o de amigos sobre tudo que preciso falar, tentando garantir que serei recebida da forma que espero.</p><p>Calculo todos os desdobramentos poss&#237;veis de cada intera&#231;&#227;o, tentando me preparar para a pr&#243;xima; percebo como os outros falam de terceiros, tentando inferir como pensam de mim. Os observo pensando que estou sendo observada de volta, e ao mesmo tempo fico surpresa toda vez que sou lembrada de que realmente estou. Me dou demasiada import&#226;ncia na vida alheia, ao mesmo tempo que import&#226;ncia alguma. Nada &#233; t&#227;o catastr&#243;fico quanto me deparar com algu&#233;m que eu ache que nutre maus sentimentos sobre mim &#8212; mais ainda do que me deparar com a certeza. Acho que quando tenho certeza que sou desgostada, ao menos acompanha um senso de import&#226;ncia que acaricia meu ego. Vivo por me sentir importante.</p><p>Toda vez que algu&#233;m lembra de mim, associando a algo, e compartilha comigo, &#233; como se o c&#233;u se abrisse: fui dada a oportunidade de me espiar por uma frestinha da vis&#227;o do outro. Saboreio toda vez. N&#227;o tem nada como ser lembrada.</p><p>&#201; tamb&#233;m sempre m&#225;gico me ver descrita pelo outro, notar o que notam em mim; mas quando a descri&#231;&#227;o n&#227;o &#233; suficientemente minunciosa, entro mais e mais na minha cabe&#231;a tentando preencher as lacunas. Quero ter todas as respostas e n&#227;o saber coisas me desespera.</p><p>Nunca confiei na minha percep&#231;&#227;o de mim ou do mundo; por muito tempo, duvidei da minha sanidade mental: j&#225; quase me convenci de ter inventado anos inteiros da minha vida, pessoas inteiras que conheci. Se consigo inventar tanta coisa do zero, como confiar na minha percep&#231;&#227;o de mim mesma? Vejo no olhar do outro uma fuga da minha mente insana, um al&#237;vio das minhas armadilhas mentais; toda vez que sou devidamente descrita, toda vez que s&#227;o sinceros comigo &#233; como uma lufada de ar que consigo dar enquanto me afogo. Acho que sempre me senti afogando, cada vez mais e mais fundo dentro de mim mesma.</p><p>Queria sair do meu pr&#243;prio corpo s&#243; para me ver de fora; queria trocar de lugar com um desconhecido para poder trocar primeiras palavras comigo mesma; queria poder experienciar a vida de outro ponto de vista uma vez que fosse. Por muito tempo me senti confinada em mim mesma, confinada na minha pr&#243;pria vida e exist&#234;ncia. Como pode eu estar a todo instante me acompanhando, e ainda n&#227;o me conhecer o bastante? Ainda depender tanto do olhar do pr&#243;ximo, colocar tanto peso nisso?</p><p>Desde sempre me importei muito com o outro, achando que n&#227;o me importava comigo mesma. Hoje vejo que isso &#233; s&#243; um jeito de me dar import&#226;ncia veladamente. Nunca soube medir meu peso na vida alheia, ora me achando relevante demais, ora achando relevante de menos. Em ambos os casos, tudo d&#225; errado. Se eu pudesse me ver pelos olhos de cada um que fala comigo, jamais haveriam erros de interpreta&#231;&#227;o. Mas n&#227;o s&#227;o a vida e as rela&#231;&#245;es interpessoais uma grande sequ&#234;ncia de erros de interepreta&#231;&#227;o?</p><p>Por que a vis&#227;o do outro &#233; t&#227;o mais v&#225;lida que a minha? Por que tanto peso em todas as rela&#231;&#245;es? Acho que julgo o outro mais imparcial, mas n&#227;o h&#225; imparcialidade. Eles podem n&#227;o ter minhas bagagens, mas t&#234;m as pr&#243;prias. Me sinto a &#250;nica neur&#243;tica num mundo bem-resolvido. As coisas poderiam ser leves em algum momento.</p><p>&#201; engra&#231;ado pois ao mesmo tempo que vivo nessa busca, a ideia de ser percebida me d&#225; arrepios. N&#227;o tem nada mais assustador do que deixar algu&#233;m espiar por mim. Anseio pelas respostas sinceras do outro ao mesmo tempo que me escondo, que tento controlar toda percep&#231;&#227;o alheia, minunciosamente entalhar minha imagem, como arrumar obsessivamente a casa antes de receber visita: me sinto tentando, em v&#227;o, ajustar toda a bagun&#231;a que sinto ser minha cabe&#231;a, como se o olhar do outro estivese ao meu alcance, e &#233; exaustivo.</p><p>&#201; exaustivo viver preocupada, n&#227;o me sinto livre. Nunca me senti livre, perpetuamente presa a mim mesma sob amarras do julgamento alheio que na verdade &#233; meu pr&#243;prio julgamento. Ansiando pelo conforto de ser percebida enquanto agonizo no desconforto de ser vista. Buscando pelo acolhimento de um olhar sincero e org&#226;nico enquanto fujo de todos, obsessivamente tornando tudo mec&#226;nico com o desespero que vive embaixo de toda troca. Serei algum dia livre?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://luapacini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading luara! 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